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A ciência por trás da biodinâmica

A ciência por trás da biodinâmica

26/06/2018

Nesta nossa breve série de posts sobre as práticas biodinâmicas para vinhos, seguimos uma direção mais ou menos bem definida: dos critérios mais esotéricos e não-obrigatórios, como o uso do posicionamento dos planetas e constelações, passando pelo núcleo da biodinâmica, que é o uso das preparações de 500 a 508, até as recomendações concretas vindas de órgãos certificadores. Neste último post (por ora!) sobre biodinâmicos, exploraremos a questão de até que ponto estas práticas geram benefícios concretos aos que as adotaram, ou qual o respaldo científico delas.

Como já comentamos anteriormente, são abundantes os exemplos no mundo do vinho de produtores de altíssimo nível que são adeptos da biodinâmica, ou então de casos de sucesso – do ponto de vista da qualidade das uvas e do vinho – de produtores que migraram para as práticas biodinâmicas. Estes casos, entretanto, podem ser considerados como evidências anedóticas, sem peso de comprovação científica a respeito da eficácia da biodinâmica.

Embora a biodinâmica seja bastante diferente da agricultura orgânica, principalmente pelo fato de considerar a área produtora como um só organismo dinâmico, onde solo, animais, homem e cosmos interagem, a busca por testes científicos tente a colocar esta diferença de forma mais prática: a biodinâmica seria a agricultura orgânica com a adição do uso das nove preparações propostas originalmente por Rudolf Steiner, e que são aplicadas sobre solo, folhas ou adubos orgânicos. Nesse sentido, o desafio da comprovação científica é mostrar que o uso das preparações, junto com os procedimentos para suas aplicações na lavoura, gera resultados mais eficazes do que na agricultura orgânica.

Indo direto ao ponto: a pesquisa científica em torno deste assunto ainda é escassa, e os poucos resultados obtidos não são conclusivos em favor da biodinâmica. Linda Chalker-Scott (2013) apresenta uma revisão da literatura em torno do assunto, e a conclusão é de que, em comparação com a agricultura orgânica, há pouca ou nenhuma evidência de que as preparações biodinâmicas melhoram os solos, potencializam a ação dos micro-organismos, aumentam a qualidade ou produtividade das colheitas ou controlam doenças. Um dos estudos mais cuidadosos no assunto (Jennifer Reeves, 2005) não encontra, de fato, nenhuma evidência de superioridade da agricultura biodinâmica.

Medir de forma rigorosamente científica a eficácia da agricultura biodinâmica é uma tarefa dura, principalmente devido à dificuldade em se isolar fatores em uma filosofia que considera a lavoura e toda a vida em torno dela como um todo. Ou seja, a ideia de analisar parcelas diferentes de uma lavoura, umas sob a agricultura orgânica e outras sob a agricultura biodinâmica, carece um pouco de sentido no âmbito desta filosofia. Além disso, há uma restrição ainda maior para se analisar o efeito isolado das várias preparações, já que a tendência dos agricultores que começam a praticar a biodinâmica é de utilizar todas as práticas e ferramentas disponíveis, como se fizessem parte de um manual, ao invés de experimentar preparações e técnicas específicas.

Portanto, temos um cenário dicotômico: por um lado, relatos por parte de produtores a respeito de uma alta superioridade da agricultura biodinâmica, assim como resultados efetivos de belos vinhos produzidos; por outro, a falta de respaldo científico de que a agricultura biodinâmica gera mais qualidade no produto do que a agricultura orgânica.

Seriam os resultados superiores relatados apenas um efeito placebo, onde produtores que adotam a filosofia da biodinâmica desenvolvem naturalmente uma relação mais profunda com suas vinhas e, portanto, trabalham de forma mais cuidadosa? Ainda é preciso tempo para que estas questões sejam respondidas. Entretanto, há um forte argumento a favor da agricultura biodinâmica: ao mesmo tempo em que não existem comprovações de efeitos negativos com relação à agricultura orgânica, está presente o conceito de uma lavoura como um sistema vivo e dinâmico, com suas facetas vegetais, animais, vegetais, cósmicas. Difícil discordar de que esta é uma abordagem razoável e saudável.

Abaixo, algumas sugestões de vinhos biodinâmicos que podem ser encontrados aqui no Brasil:
- Montirius Le Village, 2014, Vacqueyras – França (Decanter, R$ 149)
- Weingut Hiedler Riesling Steinhaus, 2011, Kamptal – Austria (Decanter, R$ 252)

Fonte - Eno Cultura