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Preparações da agricultura biodinâmica

Preparações da agricultura biodinâmica

12/06/2018

Na agricultura biodinâmica, máxima atenção é dispensada à saúde das vinhas, de forma que as doenças sejam evitadas e que a fruta expresse o seu potencial natural. Essa abordagem preventiva prioriza elementos naturais, que podem ser muito diversos: desde a influência de planetas e constelações, como vimos no post anterior, até o preparo de adubos compostos e misturas de elementos minerais, vegetais e animais que são aplicados sobre solo ou plantas.

Os adubos compostos têm um papel primordial na agricultura biodinâmica. De maneira geral, a ideia é que as matérias vegetais e animais, juntadas à terra e submetidas a uma decomposição supervisionada, adquiram uma composição mais simples e fácil de ser incorporada pelas plantas. Encontrar esta composição é uma tarefa complexa, onde muita coisa deve ser levada em consideração: temperatura, umidade, luz, proporções de matéria vegetal e animal e a natureza da matéria animal. Há que se considerar uma espécie de “afinidade” entre a videira e as substâncias de origem animal (esterco) e vegetal (como palha de centeio, trigo ou cevada, aguardente de uva...) que estão no composto. Além disso, é extremamente importante a alimentação dos animais cujos estercos serão usados. E, como pano de fundo para isso tudo, há um foco no outono, estação onde a vegetação é particularmente sensível e o momento é propício para se trabalhar a terra.

Nos adubos compostos, é dada uma atenção especial à natureza da matéria animal: cada espécie de animal possui certas tendências que são únicas e refletem como o esterco desse animal afetará as videiras. Dessa forma, na escolha dos estercos para os adubos compostos, além de quantidades e condições ideais para a decomposição, são levados em conta alguns aspectos bem curiosos. Por exemplo: o cavalo, por ser uma criatura nervosa, sensível, e que reage abruptamente a estímulos, é associado ao calor, e o seu esterco atua sobre o processo de frutificação, também favorecendo o gosto (veja nosso post anterior, a respeito da associação entre calor/fogo e frutos).

Seguindo nessa linha, podemos citar outros exemplos: a cabra e sua ligação com as forças ascendentes do calor e da luz, com seu esterco agindo mais sobre o processo de floração; o porco, que cavouca o solo em busca de raízes e é dominado pelas forças terrestres, com esterco que atua principalmente sobre o crescimento das raízes; a vaca, dominada por forças líquidas, com seu esterco atuando basicamente sobre as folhas.

Além dos adubos compostos, há também outras combinações de elementos minerais, vegetais e animais, também chamadas de preparações, que têm grande importância na agricultura biodinâmica. Estas preparações são aplicadas nos próprios adubos compostos, ou diretamente no solo e/ou nas videiras.

Rudolf Steiner listou algumas preparações e os seus objetivos, que foram padronizadas em uma lista entre os números 500 e 508. A preparação de número 500 é à qual nos referimos nas imagens deste post: um chifre de vaca, preenchido com esterco bovino, que hiberna embaixo do solo durante o inverno, e depois é dissolvido em água, em um processo conhecido como dinamização (todas as preparações da agricultura biodinâmica passam pela dinamização). A preparação 500 é aplicada diretamente sobre o solo, durante a primavera, quando surge uma nova onda de vegetação na lavoura, após o descanso de inverno. Também durante a primavera, ou antes que as plantas brotem, é aplicada sobre as folhas – ou, em algumas situações, sobre o solo – a preparação 501: cristais de quartzo ou feldspato, misturados com água da chuva e colocados em um chifre de vaca, que permanecem enterrados no verão, são desenterrados no outono e depois mantidos em um lugar bem exposto à luz solar, para depois serem dinamizados. Esta preparação é destinada sobretudo às folhas e à fotossíntese.

As preparações 500 e 501 são as mais importantes da agricultura biodinâmica. O uso delas é aprimorado por outras preparações, que são aplicadas diretamente sobre os adubos compostos, e trazem a sua contribuição específica para “desintegrar” os adubos e facilitar o acesso de elementos essenciais às videiras. As plantas utilizadas como base para estas preparações são as seguintes: milefólio (502), camomila (503), urtiga (504), casca do carvalho (505), dente-de-leão (506) e valeriana (507). Antes da dinamização, algumas delas podem ser colocadas em órgãos de animais para “impregná-las” de certa maneira. Por fim, temos a preparação 508, que é um chá à base de cavalinha do campo, usado como spray para combater doenças ligadas a fungos.

É bom lembrar, entretanto, que estas preparações não são necessariamente um manual que deve ser levado ao pé da letra pelos produtores de agricultura biodinâmica. Elas servem como uma referência, e os produtores podem adaptar as suas próprias preparações visando resolver problemas específicos e lograr a saúde de suas videiras. Esta adaptação exige experiência prática e uma certa dose de intuição, o que acaba fazendo com que a biodinâmica seja uma prática menos “catalogada” e cuja adoção não é trivial. Em nosso próximo post, falaremos de critérios mais objetivos a serem seguidos pelos produtores que adotam a agricultura biodinâmica.

Abaixo, algumas sugestões de vinhos biodinâmicos que podem ser encontrados aqui no Brasil:

- Champagne Fleury, Brut não safrado (De La Croix, R$ 298)
- Riesling Wachenheimer Gerumpel Premier Cru trocken 2009, Dr. Bürklin-Wolf, Pfalz – Alemanha (Mistral, R$ 272)

Fonte - Fontes: Eno Cultura; N. Joly, “Vinho do Céu à Terra” (Editora Vinum Brasil); J. Goode and S. Harrop, “Authentic Wine” (University of California Press)