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Vinhos Biodinâmicos: Posição das Constelações

Vinhos Biodinâmicos: Posição das Constelações

05/06/2018

Na agricultura orgânica, o foco principal é a saúde do solo, através da limitação do uso de produtos químicos – que muitas vezes são tóxicos – nas plantações. Para o caso específico dos vinhos, há também limites à intervenção química na vinificação (sobretudo o uso de sulfito como conservante). Já a biodinâmica é um conceito que transcende um protocolo agrícola. A preocupação com o solo se estende para a concepção da área produtora como um só organismo dinâmico, onde solo, animais, homem e cosmos interagem. O objetivo passa a ser o de que estas interações sejam harmônicas e bem-sucedidas qualitativamente.
Mesmo que o uso de componentes de cobre e sulfito, atuando como fungicidas, ainda sejam permitidos em vinhas biodinâmicas, geralmente isso é atribuído ao fato de que a forma tradicional de produção em monocultura ainda não permite o abandono destas substâncias. Mas, acima de tudo, este uso não deve ser uma distração para o fato central, qual seja: todo o esforço da biodinâmica está na prevenção, e não no combate aos males. Um paralelo interessante é a oposição entre a medicina oriental preventiva e a medicina tradicional, que faz uso intensivo de medicamentos.
Na biodinâmica, a prevenção pode ser feita de diversas formas. Uma delas é o preparo de misturas de elementos naturais, que são aplicados nos solos e nas videiras (isto será abordado em outro post desta série). Uma outra forma de prevenção típica da biodinâmica, e que suscita polêmica por ter menos respaldo científico, é o uso da posição de planetas e constelações de estrelas para “pautar” a vitivinificação.
Neste caso, há dois pontos cruciais que não podemos perder de vista. Primeiro, o conceito utilizado para o posicionamento de planetas e constelações é o da astronomia (posição real e atualizada), e não o da astrologia. Segundo, é perfeitamente possível praticar a biodinâmica sem considerar os planetas – embora, segundo expoentes importantes desta prática, isto significaria descartar informações valiosas.
O ponto de partida para esta abordagem é uma compreensão da realidade segundo a qual a matéria pode se apresentar em quatro estados (do mais sólido ao mais sutil): mineral (ou terra), líquido, gasoso (ou ar, onde a luz se manifesta) e calor (ou fogo). Uma videira relaciona-se com a terra sobretudo através de suas raízes; o estado líquido se manifesta principalmente através da seiva das folhas; a luz se reflete na flor e o calor é a força que possibilita o nascimento do fruto.
O segundo passo da abordagem (com forte influência de Rudolf Steiner, considerado fundador da agricultura biodinâmica) é a associação dos quatro estados da matéria aos planetas e às doze constelações de estrelas pelas quais o sol (tal como é visto da terra) viaja no decorrer de um ano. Saturno e Mercúrio marcam as influências das forças do calor; Júpiter e Vênus, da luz; Marte e Lua, da água; Terra, do mineral. Com relação às constelações, o calor seria reforçado por Áries, Leão e Sagitário; a luz, por Aquário, Gêmeos e Libra; a água, por Câncer, Peixes e Escorpião e a terra, por Capricórnio, Touro e Virgem.
A partir destas relações, um viticultor pode escolher momentos propícios de acordo com o objetivo pretendido. Por exemplo, se o foco é a frutificação, então as forças do calor são as mais importantes, e podem ser favorecidas pelo posicionamento de Saturno em Leão, Mercúrio em Áries ou, então, quando a lua, satélite da Terra, passar na frente de Sagitário. Autores como Maria Thun relatam situações práticas onde o uso destas relações trouxe resultados concretos.
Considerando o posicionamento de planetas/constelações ou não, o fato é que a biodinâmica tem sido utilizada por produtores de grande reputação e mostrado resultados muito positivos para aqueles que se converteram à técnica, inclusive em regiões que eram consideradas difíceis para este tipo de abordagem, como Champagne e Bourgogne, na França. Há muito ainda que se falar neste assunto, como as misturas naturais preparadas para as plantações, regras a serem seguidas por produtores biodinâmicos, órgãos reguladores... Veja mais em nossos próximos posts sobre o assunto ;)
Abaixo, algumas sugestões de vinhos biodinâmicos que podem ser encontrados aqui no Brasil:

- Côtes du Roussillon Villages Bila-Haut 2016, M. Chapoutier (Mistral, R$ 108)
- Matetic EQ Syrah 2011, Matetic (Grand Cru, R$ 199)
- Beaune 1er Cru Les Reversées 2014, Jean Claude Rateau (De La Croix, 298)

Fonte - Fontes: Eno Cultura; N. Joly, “Vinho do Céu à Terra” (Editora Vinum Brasil); J. Goode and S. Harrop, “Authentic Wine” (University of California Press)