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Série: Problemas nas Vinhas [ PESTES ]
4 de setembro de 2018

Série: Problemas nas Vinhas [ PESTES ]

Conteúdo Técnico

As vinhas têm algumas vantagens com relação a muitas das lavouras convencionais: são plantas relativamente resistentes a condições ambientais adversas e não sofrem a pressão por “estética” que muitos outros vegetais sofrem, pois o que importa para a produção de vinhos é o suco de uma uva saudável. Não obstante, a vida de um viticultor está longe de ser fácil! Há uma série de doenças que podem comprometer seriamente a produção de uvas viníferas, uma lista que está em constante modificação. Hoje trataremos das pestes.

A mais conhecida das pestes na viticultura é certamente a filoxera: pequenos insetos que se alimentam da seiva das videiras, principalmente através das raízes. Ao mesmo tempo em que se alimenta da seiva, a filoxera injeta uma toxina que compromete a estrutura da planta, matando-a. Como não foi encontrada uma forma eficiente de controlar esta peste, que devastou a produção vinícola europeia no século XIX, a solução foi o uso de implantes de vinhas em raízes de vinhas nativas americanas, algumas das quais são naturalmente resistentes à filoxera.

É importante notar que nem todas as vinhas americanas são naturalmente resistentes à filoxera. Além disso, em regiões como a Califórnia e mesmo no Chile – um dos raros locais no mundo onde a filoxera ainda não se desenvolveu –, há uma preocupação crescente com outra praga: os nematoides, lombrigas microscópicas que, assim como a filoxera, atacam as raízes das vinhas.

Há várias espécies de nematoides e algumas até são benéficas, pois atacam outras pestes. A maioria, porém, deixa o ambiente propício à atuação de diversos vírus ou enfraquece as plantas a ponto de matá-las. O combate aos nematoides não é uma tarefa fácil ou consensual. No passado, era utilizado o brometo de metilo, um elemento tóxico que matava não só os nematoides mas também os fungos presentes no solo, esterilizando-o; ainda, é um elemento muito nocivo à camada de ozônio. Outras formas de combater os nematoides são: deixar a região sem vinhas por alguns anos para matar a população da praga, controlar a quantidade de água disponível ou utilizar vinhas com raízes ultra resistentes. Neste último caso, no entanto, há a polêmica de que raízes muito resistentes comprometem a qualidade das uvas.

De forma geral, há uma clara tendência a se utilizar métodos menos agressivos ao meio ambiente e mais preventivos para se combater as pestes, como um ecossistema mais equilibrado, o encorajamento de predadores naturais, o foco nos “vetores” ou habitats preferidos das pestes, uma poda apropriada, a utilização de feromônios para inibir a reprodução e mesmo pesticidas orgânicos baseados em plantas. Vários destes métodos são utilizados para combater outras pestes, como:

– Ácaros: alimentam-se da clorofila e afetam a fotossíntese; combatidos principalmente com pesticidas orgânicos.

– Traças: deixam ovos dentro das uvas e, se a infecção ocorrer quando as uvas já estão em fase avançada de amadurecimento, causam “podridão azeda”, que pode se espalhar por todo o vinhedo; combatidas com feromônios ou inseticidas orgânicos.

– Drosófila de asa manchada: originária do sudeste asiático e agora presente na Europa e EUA, esta mosca gosta de se alimentar em áreas mais sombreadas e frescas, perfurando a casca das uvas e levando à podridão; uma das formas de combatê-las é podar as folhas das videiras de forma a evitar o ambiente sombreado que elas preferem.

Há várias outras pestes e doenças que podem afetar as videiras, e a lista está em constante evolução, sempre com novas espécies surgindo. Embora isso possa ser alarmante, não se pode ignorar que novas soluções de combate também surgem frequentemente. Há quem defenda, por exemplo, o ponto de vista de que a disponibilidade de água e a urbanização são ameaças muito mais sérias aos viticultores… Na próxima semana, continuaremos o assunto de problemas nas vinhas abordando os fungos. Fiquem ligados!

 

 

Fontes: Embrapa; FWS; GuildSomm.com, “Major Maladies of the Vine”, by Kelli White

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