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Série: Problemas nas Vinhas [ BACTÉRIAS ]
25 de setembro de 2018

Série: Problemas nas Vinhas [ BACTÉRIAS ]

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Se comparadas aos fungos e vírus que atacam as vinhas, as bactérias são mais escassas. As doenças associadas a elas, porém, são as mais fatais que uma vinha pode sofrer.

Uma das doenças mais frequentes é a cecídia, que ocorre quando a bactéria Agrobacterium tumefaciens, presente no solo, penetra a madeira da planta – que pode ser uma vinha, mas também vários outros tipos de planta. Geralmente isso ocorre quando há uma “ferida” no tronco, que pode ter sido causada por tratores, ferramentas removedoras de pragas, frio extremo ou enxertos mal inseridos. A doença se manifesta com tumores no caule, e o único tratamento existente é a remoção da vinha. A cecídia é presente em todo o mundo, mas há regiões onde ela é mais problemática, como na costa leste dos EUA.

Outra doença, altamente contagiosa e particularmente preocupante em algumas partes do mundo, é a praga quarentenária (“grapevine flavescence dorée phytoplasma”). Os primeiros sintomas são folhas amareladas e uvas esbranquiçadas; uma infecção pode levar à perda total da colheita. Também não há cura para esta doença, e a principal estratégia é a prevenção e o combate ao seu vetor, um inseto (Scaphoideus titanus). Na França, onde há uma enorme preocupação com esta bactéria, métodos de controle obrigatórios foram impostos a cerca de metade dos vinhedos do país. Como estes métodos incluem a utilização de sprays de inseticidas não-orgânicos, há uma muita polêmica envolvendo produtores de tendência mais “natural”.

A doença de Pierce é um outro mal causado por uma bactéria. Ela não é tão disseminada no mundo, mas ataca com severidade vinhas da costa oeste dos EUA – fez praticamente desaparecerem as vinhas próximas à bacia de Los Angeles nos anos 1850 e 1860. Esta doença também é transmitida por um inseto. Ela corta o sistema vascular da vinha, causando desidratação e podendo levar à morte da planta em alguns anos. O combate à doença de Pierce não é trivial, e uma das estratégias de prevenção mais bem-sucedidas tem sido o tratamento de córregos e rios onde há depósitos biológicos que servem de “porto seguro” para os insetos transmissores.

Outra solução que está surgindo para o tratamento da doença de Pierce é o cruzamento de uvas da espécie vinifera com Vitis arizonica (originária do México), que é totalmente resistente à doença. Do lado vinifera, têm sido usadas para os cruzamentos as variedades Zinfandel, Cabernet Sauvignon, Petite Syrah, Chardonnay e Sauvignon Blanc. As uvas resultantes, que ainda não têm nomes, têm a grande vantagem de serem resistentes à bactéria da doença de Pierce de forma natural, eliminando a necessidade de uso de pesticidas ou herbicidas. Mas estarão os consumidores dispostos a consumirem novas e desconhecidas variedades de uvas?

 

Fontes: Embrapa; FWS; GuildSomm.com, “Major Maladies of the Vine”, by Kelli White

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